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  •   | Centro Histórico - Paraty - Rio de Janeiro  
  • Curriculo

    maria
    Da sereia à mulher árvore

    O trabalho de Maria Cruz Buffa Urquijo nasceu de uma profunda construção biográfica com a natureza. A ligação com o mar e a terra marcou todo o seu processo artístico.

    Este processo criativo iniciou-se na adolescência, com a sua radicação no Brasil, em Paraty, onde foi entrando no mundo da fotografia e começou a retratar a paisagem orgânica da floresta.

    A paisagem virou tátil, e assim, nasceu em Maria Cruz outra linguagem constitutiva: a escultura.

    Formada com importantes mestres, começou a desenvolver uma linguagem escultural, física e sensual a partir da talha contemporânea policroma em madeira.

    Sua série pictórica gerou-se amalgamada à escultura, materializando-se em altos-relevos de corpos, dança congelada entre o bastidor e a madeira. Da matéria do mato emerge a essência feminina de curvas eróticas e perfumes exóticos.

    Suas esculturas em madeira de amoreira, fresno branco e cedro azul são territórios táteis, superfícies macias e delicadas.

    A força da motosserra transmuta em corpos erógenos. Árvores resgatadas da cidade transformam-se em novos seres dançantes.

    A primeira fase de sua pintura iniciou-se nesse território do corporal fusionando em alto-relevo contornos construídos pela percepção lúdica entre figura e fundo.

    Mais tarde, a pintura é Paisagem-Natureza, troncos vivos em paletas de cores intensas inspiradas na cultura brasileira.

    Seus formatos pictóricos são geografias criadas por meio de perspetivas verticais de cita japonesa, horizontes de mar que recriam uma mitologia marinha.

    Sereias entalhadas em madeira mergulham em profundas paisagens abstratas. Florestas coloridas abrem passo a fundos planos de intensos monocromos.

    Das sereias aos mares, das metrópoles ao oceano, do corpo escultórico à paisagem da pintura.

    A viagem pela obra de Maria Cruz leva-nos da cidade à Mata atlântica, a Ibi Apy, que significa: “Lugar sem Mal”, o nome guarani para o Paraíso.

    Nesta passagem de purificação, outro antigo arquétipo manifesta-se em suas últimas pinturas: a Mulher-Árvore, símbolo cosmogônico de renascimento.

    Fabiana Barreda